

riatividade
atemática
8.ª edição
Sobre o Projeto
01
Este encontro Matemático surge por iniciativa de duas alunas do Núcleo de Estágio do Mestrado em Ensino de Matemática no 3.º Ciclo do Ensino Básico e no Ensino Secundário, a realizar estágio na Escola Secundária de Penafiel e na Escola Básica e Secundária de Ermesinde. Motivadas pelo interesse em criar uma atividade dinâmica e significativa no contexto escolar, procuraram em conjunto promover um evento que incentivasse a partilha, a criatividade e o gosto pela matemática. Tendo em conta que uma das escolas envolvidas já tinha dinamizado, em anos anteriores, projetos desta natureza, decidiu-se tomar essas experiências como base para a construção de uma nova edição, adaptada ao contexto atual.
Este evento inspira-se no projeto «(H)À + Criatividade Matemática», iniciado no ano letivo de 2017/2018 por dois professores de Matemática de escolas do concelho de Penafiel, a Escola Secundária de Penafiel e a Escola Básica e Secundária de Pinheiro.
Este surgiu da necessidade de tornar o ensino da Matemática mais dinâmico e significativo, criando um ambiente onde os alunos fossem incentivados a participar ativamente no seu processo de aprendizagem. Nesse sentido, valoriza-se a resolução de problemas, a partilha e discussão de ideias, bem como a exploração de diferentes estratégias e formas de pensar.
Para além disso, procura-se desenvolver competências essenciais como o raciocínio lógico, a comunicação matemática e a criatividade, permitindo aos alunos não apenas compreender conteúdos, mas também aplicá-los de forma crítica e autónoma.
Os trabalhos desenvolvidos ao longo do projeto centram-se muitas das vezes em temas que envolvam História da Matemática, ajudando a dar sentido aos conceitos e a perceber como as ideias matemáticas foram surgindo e evoluindo ao longo do tempo.
Desde o início, o projeto contou também com a colaboração e o envolvimento de duas especialistas em Educação Matemática, Rosa Antónia Tomás Ferreira, da Universidade do Porto e Maria Helena Martinho, da Universidade do Minho, cuja participação contribuiu para a sua fundamentação e desenvolvimento.
A Escola Secundária de Penafiel e a Faculdade de Ciências da Universidade do Porto desenvolveram uma parceria, que veio reforçar o a continuidade do projeto «(H)à + Criatividade Matemática» e o apoio por parte do Departamento de Matemática da Faculdade de Ciências, nomeadamente ao nível científico e em iniciativas de divulgação da matemática.
Este projeto iniciado em 2017/2018 tem caraterísticas muito próximas de outro que se realizou durante cinco edições anuais, logo após, a publicação do programa de Matemática para o Ensino Secundário de 1997, coordenado pelo Professor Jaime Carvalho e Silva. Nesse programa era recomendado, a título de atividades complementares e em estreita ligação com os objetivos definidos para a disciplina de matemática, na alínea e), que “deve ser pretexto para falar da matemática, criar gosto pela Matemática ou fornecer aos alunos outra visão da Matemática, a simulação de congressos científicos em que os alunos apresentem comunicações”. Nessas edições, sob a designação de “Um dia de intercâmbio cultural e científico” decorriam, ao longo de todo o dia, momentos em que os alunos, de diferentes escolas secundárias, conviviam à volta de visitas na escola, lanche partilhado com iguarias dos diferentes locais das escolas, momentos musicais e, especialmente, mini palestras por si dinamizadas. Ao longo dessas edições, participaram alunos de escolas secundárias de Paredes, de Baltar, de Amares, de Lousada, de Valongo, de Penafiel, de Ermesinde, de Famalicão, de Barcelos e de Coimbra. Uma das edições decorreu na Escola Secundária de Penafiel numa organização conjunta do grupo de Matemática de então, de que a professora Justina Neto fazia parte, e dos Acompanhantes de Matemática do ensino secundário do Porto Interior, de que o professor Raul Gonçalves fazia também parte.
Desde o início, destacou-se pelo seu caráter colaborativo e interdisciplinar, promovendo a ligação da matemática a outras áreas do saber e valorizando o trabalho autónomo dos alunos. Ao longo dos anos, foram realizadas várias edições, cada uma com identidade própria, nas quais os alunos desenvolveram projetos diversificados, desde temas da História da Matemática até aplicações no mundo real, culminando num encontro final de partilha e debate.
Com o crescimento e o impacto positivo desta iniciativa, surgiu naturalmente a evolução para um formato mais alargado: o Congresso Matemático. Este mantém o espírito original do projeto, reforçando a partilha de experiências, a divulgação da matemática e a valorização do papel ativo dos alunos na construção do conhecimento.
02
A 8.ª edição do projeto afirma-se como um momento de concretização dos trabalhos produzidos no âmbito do projeto, desenvolvidos ou não em contexto de sala de aula, ao longo do ano letivo, centrados na participação ativa dos alunos, na valorização das suas aprendizagens e na estruturação do pensamento.
Ao longo deste percurso, os alunos, em articulação com os seus professores, desenvolvem projetos que refletem diferentes abordagens à matemática, sendo que, nesta edição, se privilegia o trabalho em torno de temas da História da Matemática. Estes trabalhos visam não só a consolidação de conhecimentos, mas também a aplicação da matemática ao mundo real, em particular ao meio em que as escolas estão inseridas. A escolha da História da Matemática como eixo central desta edição apoia-se nas Aprendizagens Essenciais, que salientam o seu potencial pedagógico enquanto meio para promover pesquisas, estudos e debates em torno da evolução do conhecimento matemático. Mais do que uma abordagem descritiva, pretende-se que os alunos compreendam a matemática como uma construção progressiva, com valor cultural e científico e reconheçam a sua importância na evolução da sociedade.
Este concretiza-se através da apresentação de mini conferências, onde os alunos partilham os seus trabalhos, assumindo o papel de comunicadores e divulgadores do conhecimento que construíram. Neste momento, têm a oportunidade de expor ideias, explicar os processos desenvolvidos e refletir sobre as estratégias utilizadas.
Este momento de partilha é enriquecido pela presença e acompanhamento de professores universitários convidados (FCUP, FCTUC e APM), contribuindo para a valorização científica dos trabalhos apresentados e para o contacto dos alunos com diferentes perspetivas sobre a matemática.
A participação neste evento permite, assim, aos alunos assumir um papel ativo na sua aprendizagem, reforçando a autonomia e o sentido de responsabilidade, ao mesmo tempo que valoriza o trabalho desenvolvido ao longo do ano letivo.
03
-
Desenvolver a comunicação, a argumentação e o raciocínio matemático;
-
Promover a resolução de problemas e a criatividade matemática;
-
Fomentar a partilha de experiências e projetos entre alunos;
-
Reforçar a autonomia, a responsabilidade e a confiança dos alunos na apresentação pública de ideias;
-
Incentivar a cultura e a divulgação da Matemática;
-
Valorizar diferentes formas de comunicar e ensinar Matemática;
-
Consolidar aprendizagens conceptuais e competências processuais;
-
Criar um espaço de aprendizagem colaborativa, articulado com a comunidade educativa.
04
Fundamentação
Nos últimos anos, têm sido colocados diversos desafios curriculares aos docentes de matemática, decorrentes da evolução dos programas, das metas curriculares e, mais recentemente, das Aprendizagens Essenciais e do Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória. Esta diversidade de referenciais implica a necessidade de desenvolver práticas pedagógicas mais flexíveis, articuladas e centradas na criação de tarefas que promovam aprendizagens significativas.
Neste contexto, torna-se essencial criar ambientes de aprendizagem que privilegiem a resolução de problemas, a exploração de diferentes estratégias e a valorização da diversidade de raciocínios matemáticos. A promoção de momentos de confronto de ideias e de discussão contribui para o desenvolvimento de competências fundamentais, como a comunicação e a argumentação, essenciais à aprendizagem da matemática.
Assim, o presente projeto enquadra-se numa perspectiva de ensino que procura ir além da abordagem tradicional, incentivando práticas colaborativas entre docentes e proporcionando aos alunos experiências de aprendizagem mais ricas e estimulantes. Encontra-se, deste modo, alinhado com as orientações curriculares vigentes e com princípios orientadores da educação matemática, nomeadamente os que defendem uma aprendizagem ativa, reflexiva e contextualizada.